{"id":143,"date":"2026-07-26T22:14:22","date_gmt":"2026-07-27T01:14:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.xuhlis.com\/?p=143"},"modified":"2026-08-01T22:42:35","modified_gmt":"2026-08-02T01:42:35","slug":"memorias-postumas-jao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/memorias-postumas-jao\/","title":{"rendered":"mem\u00f3rias p\u00f3stumas, do j\u00e3o: o disco de luto que eu ouvi um ano depois de perder meu pai"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"imagem\"><button type=\"button\" data-ampliar=\"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jao-1-edited.jpg\" aria-label=\"ampliar a imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1170\" height=\"780\" src=\"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jao-1-edited.jpg\" alt=\"capa de mem\u00f3rias p\u00f3stumas, do j\u00e3o\" class=\"wp-image-149\" srcset=\"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jao-1-edited.jpg 1170w, https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jao-1-edited-300x200.jpg 300w, https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jao-1-edited-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jao-1-edited-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1170px) 100vw, 1170px\" \/><\/button><\/figure>\n\n\n<div class=\"ficha entra abre\" style=\"--o:3\" aria-label=\"ficha da resenha\"><span class=\"selo-nota\" role=\"img\" aria-label=\"nota 4 de 5\"><span>4<svg class=\"forma\" viewBox=\"0 0 24 24\" aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\"><path d=\"M12 2l2.9 6.6 7.1.7-5.4 4.8 1.6 7L12 17.4 5.8 21.1l1.6-7L2 9.3l7.1-.7z\"\/><\/svg><\/span><small>de 5<\/small><\/span><div><span class=\"estrelas\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"cheia\"><\/i><i class=\"cheia\"><\/i><i class=\"cheia\"><\/i><i class=\"cheia\"><\/i><i><\/i><\/span><dl><dt>obra<\/dt><dd>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas<\/dd><dt>autor<\/dt><dd>J\u00e3o<\/dd><dt>tipo<\/dt><dd>m\u00fasica<\/dd><\/dl><\/div><\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">abertura<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">eu ouvi <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/37oi5fAM46AtRr3bXNj8M3?si=CYE3tkmfS2mPk3oUJodEcg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mem\u00f3rias p\u00f3stumas<\/a>, o \u00e1lbum novo do j\u00e3o, sozinho, deitado na cama do meu quarto, com o meu di\u00e1rio do ano passado aberto do lado. estava esperando o \u00e1lbum sair e me deu vontade de ler um pouquinho. eu tava relendo umas p\u00e1ginas de 2025, aquelas que eu escrevi nos primeiros meses depois que meu pai se foi, quando o disco come\u00e7ou a tocar. e em algum ponto eu parei de escutar um \u00e1lbum sobre o luto do j\u00e3o e comecei a escutar o meu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00e9 disso que essa resenha \u00e9. ela n\u00e3o tem como ser imparcial, e eu nem vou tentar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">que \u00e1lbum \u00e9 mem\u00f3rias p\u00f3stumas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">depois da era super, toda fant\u00e1stica e grandiosa, o j\u00e3o fez o contr\u00e1rio: mem\u00f3rias p\u00f3stumas \u00e9 pequeno, \u00edntimo, cor de verde-oliva e terra. o t\u00edtulo \u00e9 um aceno pro machado de assis, claro, direto de <em>mem\u00f3rias p\u00f3stumas de br\u00e1s cubas<\/em>. no livro, \u00e9 um narrador defunto que resolve contar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria depois de morto, sabe? e isso faz todo o sentido com o disco. ele nasce de uma perda concreta, a do pai do j\u00e3o, mas ele fez m\u00fasica pra n\u00e3o perder junto o amor que sentia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">aqui vai a primeira coisa que eu preciso dizer, porque acho que muita resenha vai escorregar nela: mem\u00f3rias p\u00f3stumas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 &#8220;o \u00e1lbum do pai que morreu&#8221;. boa parte das faixas \u00e9, na superf\u00edcie, sobre um amor que acabou. o luto do pai \u00e9 a moldura, a lente. o que o j\u00e3o faz \u00e9 usar a morte pra falar de toda aus\u00eancia, de todo mundo que passa pela gente e vai embora deixando marca. e talvez seja por isso que ele me acerta de tantos cantos ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">tem um detalhe que eu n\u00e3o esperava e que me pegou: o disco n\u00e3o vive s\u00f3 no fone. o j\u00e3o montou um site inteiro, com um quarto que voc\u00ea acende e apaga a lumin\u00e1ria, um caderno que vira p\u00e1gina por p\u00e1gina, e no meio das letras aparecem fotos antigas, de anivers\u00e1rio, de fam\u00edlia. voc\u00ea t\u00e1 lendo o verso e de repente tem uma foto ali, no ponto exato. o \u00e1lbum n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pra ouvir, \u00e9 pra visitar. isso \u00e9 extremamente lindo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">catedral e o amor: o que me incomodou (e a virada)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">vou come\u00e7ar pela minha implic\u00e2ncia, porque honestidade \u00e9 o que eu tenho pra oferecer aqui. eu esperava um disco de luto que fosse triste at\u00e9 nas batidas. e catedral, a faixa que abre tudo, e o amor v\u00eam com uma pegada animada, quase solar, que me deixou meio desgostoso da primeira vez que ouvi. eu queria melancolia e veio quase festa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">s\u00f3 que a\u00ed eu entendi a jogada. catedral \u00e9 uma m\u00fasica alegre sobre o dia mais pesado que existe, o pai indo embora no mesmo instante banal em que a cidade acorda e faz p\u00e3o e tem gente nascendo. e l\u00e1 na frente, em literatura, o j\u00e3o diz em voz alta o que catedral j\u00e1 estava fazendo escondido: a arte serve pra pegar a dor e virar outra coisa. ent\u00e3o a batida alegre n\u00e3o \u00e9 descuido, \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o acontecendo na sua frente, um enterro virando hino de prop\u00f3sito. eu precisei ouvir mais umas vezes pra sacar isso, e quando saquei, a faixa que mais me incomodou virou a que melhor resume o \u00e1lbum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">n\u00e3o que tenha me convencido inteiro o tempo todo, mas teve uma que me ganhou pela batida mesmo: passeios noturnos tem uma batida muito gostosa de ouvir do come\u00e7o ao fim. sempre volto tamb\u00e9m \u00e9 meio triste e meio animada, jabuticabeira tem essa leveza, e teve hora que eu ainda queria mais peso. mas entendi que o disco escolheu n\u00e3o chorar o tempo todo. e isso \u00e9 uma escolha, n\u00e3o um erro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">as faixas que me acharam<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">literatura foi a que mais me pegou pela melodia, \u00e9 bonita de doer. e tem um momento nela, o de negar e reescrever, que me jogou direto no come\u00e7o do meu luto, naquele lugar em que eu ficava me perguntando o que eu poderia ter feito diferente. aquela vontade teimosa de reescrever o final. a faixa fala exatamente disso, de mudar a hist\u00f3ria com palavra, de manter na p\u00e1gina quem a vida levou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">mas a que mais me emocionou foi tudo me lembra. esses dias eu tava indo pro trabalho de manh\u00e3zinha, andando sozinho na rua, no frio, e do nada me veio a vida inteira com ele. tem um verso ali sobre fingir que n\u00e3o sabe, porque assim se dorme melhor, e \u00e9 isso que a gente faz no luto: vai empurrando a dor pro canto, porque remoer o tempo todo machuca. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">tem beijo de novela, e eu lembrei de assistir novela com meu pai e minha m\u00e3e quando era crian\u00e7a, s\u00f3 pra me sentir mais perto deles. tem os gatos sem ra\u00e7a. e me voltou aquela sensa\u00e7\u00e3o dos primeiros dias, quando tudo que eu olhava me lembrava dele e vinha um choro que n\u00e3o dava pra segurar. \u00e9 a minha favorita do disco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">jabuticabeira tamb\u00e9m me pega no contrap\u00e9 com essa pegada mais animada, mas a letra \u00e9 das melhores. \u00e9 um narrador se despedindo sem medo, pedindo pra algu\u00e9m regar as plantas dele, dizendo que n\u00e3o vai morrer, s\u00f3 viajar. e tem a heran\u00e7a ali, o &#8220;temos os mesmos olhos&#8221;, o pedido pra voc\u00ea plantar a sua \u00e1rvore quando tiver um filho. \u00e9 o morto seguindo nos tra\u00e7os de quem fica, e conversa direto com uma coisa que eu escrevo muito no meu di\u00e1rio: o medo de esquecer, e a vontade de honrar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">e tem jo\u00e3o. essa eu n\u00e3o sei explicar direito. tem o meu nome no t\u00edtulo, e o verso em que ele confessa que s\u00f3 sabe amar mal, chamando a pessoa pelo meu nome, me pegou de um jeito que eu ainda n\u00e3o consegui traduzir. acho que tem m\u00fasica que a gente n\u00e3o resenha. a gente s\u00f3 sente, sabe?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">e a\u00ed veio mem\u00f3rias p\u00f3stumas, a faixa que fecha o disco, e foi um soco no est\u00f4mago. ela \u00e9 narrada por algu\u00e9m que j\u00e1 se foi, que passa todo dia pela casa de quem ficou e n\u00e3o acha gra\u00e7a em mais nada no mundo dos vivos. tem um trecho sobre a \u00faltima coisa que se v\u00ea dali serem os olhos de algu\u00e9m, e cara, \u00e9 como se fosse escrita pelo pr\u00f3prio falecido mesmo. eu n\u00e3o sei se foi por isso que ela me destruiu ou se \u00e9 porque diz exatamente como eu me sinto. essa m\u00fasica me puxou direto pra imagem da escada l\u00e1 de casa. a escada que eu vi meu pai subir pela \u00faltima vez com dor no cora\u00e7\u00e3o pra ir pro hospital. todos os dias eu olho pra ela e \u00e9 dele que eu lembro, inevit\u00e1vel. quando o j\u00e3o canta sobre essa \u00faltima vis\u00e3o, \u00e9 a cena dessa escada que me vem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"imagem\"><button type=\"button\" data-ampliar=\"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/482953712-jao-capa-2-e1785115446636.webp\" aria-label=\"ampliar a imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"456\" src=\"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/482953712-jao-capa-2-e1785115446636-1024x456.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-152\" srcset=\"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/482953712-jao-capa-2-e1785115446636-1024x456.webp 1024w, https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/482953712-jao-capa-2-e1785115446636-300x134.webp 300w, https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/482953712-jao-capa-2-e1785115446636-768x342.webp 768w, https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/482953712-jao-capa-2-e1785115446636-1536x685.webp 1536w, https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/482953712-jao-capa-2-e1785115446636.webp 1548w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/button><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">meu pai, e o mesmo ano<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">eu perdi meu pai ano passado, mais ou menos na mesma \u00e9poca em que o j\u00e3o perdeu o dele. os dois lutos, o mesmo ano. talvez seja por isso que esse disco n\u00e3o me soa como um lan\u00e7amento, e sim como algu\u00e9m lendo o meu di\u00e1rio em voz alta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">o que eu mais sinto falta s\u00e3o as coisas pequenas. eu lembro dele me levando no carro ouvindo nx zero, na \u00e9poca do fundamental. lembro da voz dele quando eu chamava ele pra ver um dos gatos fazendo alguma bobeira. e sinto falta dele me buscando de noite, quando eu chegava cansado do trabalho ou da faculdade. \u00e9 isso que mem\u00f3rias p\u00f3stumas entende e quase ningu\u00e9m entende: a saudade n\u00e3o mora no grande, mora no comum, no cheiro de p\u00e3o de um dia qualquer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">e \u00e9 aqui que o \u00e2ngulo do disco virou o meu tamb\u00e9m. as pessoas que passam pela gente deixam marca, mesmo quando v\u00e3o embora. elas plantam coisa na gente que n\u00e3o sai. meu pai plantou. e talvez doer ainda seja, de um jeito meio torto, uma forma de manter ele por perto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">vale a pena? e pra quem<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">vale muito. mem\u00f3rias p\u00f3stumas \u00e9 o j\u00e3o mais nu que eu j\u00e1 ouvi, e \u00e9 um disco corajoso: ele escolheu transformar a perda em algo bonito sem nunca fingir que a perda n\u00e3o existe. o meu \u00fanico sen\u00e3o sincero \u00e9 que em alguns momentos eu queria mais peso na batida, porque meu ouvido pedia a mesma tristeza que a letra j\u00e1 tinha. mas isso \u00e9 gosto meu, n\u00e3o defeito dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">se voc\u00ea t\u00e1 de luto, um aviso de quem tamb\u00e9m t\u00e1: ou\u00e7a com carinho, e talvez n\u00e3o num dia muito fr\u00e1gil, porque ele mexe fundo. agora, se voc\u00ea perdeu algu\u00e9m e t\u00e1 procurando companhia pra essa saudade, ou se voc\u00ea s\u00f3 quer entender como a arte segura o que a vida leva, esse disco vai te encontrar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">fecho<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">no fim, foi isso que ficou comigo: a gente n\u00e3o para de amar quem perdeu, e talvez nem deva. o j\u00e3o fez um \u00e1lbum pra guardar o pai dele nas palavras. eu, ouvi ele de di\u00e1rio aberto, guardando o meu do meu jeito. e sa\u00ed com uma certeza meio esquisita e meio boa: enquanto a gente lembra, ningu\u00e9m foi embora de vez.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">faq<\/h3>\n\n\n<section class=\"faq\" aria-label=\"perguntas frequentes\"><div class=\"sanfona\"><button type=\"button\" class=\"sanfona__botao\" aria-expanded=\"false\">de que fala mem\u00f3rias p\u00f3stumas? <svg class=\"ui\" viewBox=\"0 0 24 24\" aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" fill=\"none\" stroke=\"currentColor\" stroke-width=\"1.8\" stroke-linecap=\"square\" stroke-linejoin=\"miter\"><path d=\"M6 9l6 6 6-6\"\/><\/svg><\/button><div class=\"sanfona__corpo\"><div><div><p>mem\u00f3rias p\u00f3stumas \u00e9 o 5\u00ba \u00e1lbum do j\u00e3o, um disco \u00edntimo sobre luto e mem\u00f3ria, nascido da perda do pai dele. na superf\u00edcie muitas faixas falam de um amor que acabou, mas o fio \u00e9 a aus\u00eancia e o que resta de quem se vai.<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div>\n<div class=\"sanfona\"><button type=\"button\" class=\"sanfona__botao\" aria-expanded=\"false\">o \u00e1lbum novo do j\u00e3o \u00e9 sobre o pai dele? <svg class=\"ui\" viewBox=\"0 0 24 24\" aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" fill=\"none\" stroke=\"currentColor\" stroke-width=\"1.8\" stroke-linecap=\"square\" stroke-linejoin=\"miter\"><path d=\"M6 9l6 6 6-6\"\/><\/svg><\/button><div class=\"sanfona__corpo\"><div><div><p>em parte, sim. o luto do pai \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o e a moldura de mem\u00f3rias p\u00f3stumas, expl\u00edcito em faixas como catedral e a faixa-t\u00edtulo, mas o disco fala de perda em sentido mais amplo.<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div>\n<div class=\"sanfona\"><button type=\"button\" class=\"sanfona__botao\" aria-expanded=\"false\">quantas faixas tem? <svg class=\"ui\" viewBox=\"0 0 24 24\" aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" fill=\"none\" stroke=\"currentColor\" stroke-width=\"1.8\" stroke-linecap=\"square\" stroke-linejoin=\"miter\"><path d=\"M6 9l6 6 6-6\"\/><\/svg><\/button><div class=\"sanfona__corpo\"><div><div><p>s\u00e3o 14 faixas, de catedral a mem\u00f3rias p\u00f3stumas, com uma pegada mais org\u00e2nica e melanc\u00f3lica que a era super.<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div>\n<div class=\"sanfona\"><button type=\"button\" class=\"sanfona__botao\" aria-expanded=\"false\">qual a melhor faixa? <svg class=\"ui\" viewBox=\"0 0 24 24\" aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" fill=\"none\" stroke=\"currentColor\" stroke-width=\"1.8\" stroke-linecap=\"square\" stroke-linejoin=\"miter\"><path d=\"M6 9l6 6 6-6\"\/><\/svg><\/button><div class=\"sanfona__corpo\"><div><div><p>gosto \u00e9 gosto, mas pra mim tudo me lembra \u00e9 a que mais emociona, e literatura \u00e9 a mais bonita de melodia. catedral \u00e9 a que mais cresce quando voc\u00ea ouve mais vezes.<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div>\n<div class=\"sanfona\"><button type=\"button\" class=\"sanfona__botao\" aria-expanded=\"false\">mem\u00f3rias p\u00f3stumas \u00e9 um \u00e1lbum triste? <svg class=\"ui\" viewBox=\"0 0 24 24\" aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" fill=\"none\" stroke=\"currentColor\" stroke-width=\"1.8\" stroke-linecap=\"square\" stroke-linejoin=\"miter\"><path d=\"M6 9l6 6 6-6\"\/><\/svg><\/button><div class=\"sanfona__corpo\"><div><div><p>tem peso, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 choro: mem\u00f3rias p\u00f3stumas escolhe transformar a dor em algo bonito, e v\u00e1rias faixas soam quase solares por cima de letras pesadas.<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div>\n<div class=\"sanfona\"><button type=\"button\" class=\"sanfona__botao\" aria-expanded=\"false\">o que significa mem\u00f3rias p\u00f3stumas? <svg class=\"ui\" viewBox=\"0 0 24 24\" aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" fill=\"none\" stroke=\"currentColor\" stroke-width=\"1.8\" stroke-linecap=\"square\" stroke-linejoin=\"miter\"><path d=\"M6 9l6 6 6-6\"\/><\/svg><\/button><div class=\"sanfona__corpo\"><div><div><p>o nome vem do machado de assis, do &#8220;mem\u00f3rias p\u00f3stumas de br\u00e1s cubas&#8221;, um livro narrado por um defunto. no \u00e1lbum do j\u00e3o, o significado \u00e9 esse: algu\u00e9m olhando pra tr\u00e1s e guardando nas palavras o amor de quem j\u00e1 se foi. mem\u00f3rias que sobrevivem \u00e0 morte.<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>abertura eu ouvi mem\u00f3rias p\u00f3stumas, o \u00e1lbum novo do j\u00e3o, sozinho, deitado na cama do meu quarto, com o meu di\u00e1rio do ano passado\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":145,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[17,18,10],"class_list":["post-143","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenhas","tag-jao","tag-luto","tag-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":160,"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143\/revisions\/160"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/145"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xuhlis.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}